Realidade e Ficção

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Pode haver um momento em que uma relação baseada no conforto, no prazer a na companhia se transforma numa relação de amor? Se me questionasse sobre isto há algum tempo atrás, naquela fase arrebatadora das paixões obsessivas que atravessam os quinze e os dezoito, responderia peremptoriamente que não. Atiraria para a mesa um daqueles meus clichés dos quais uso e abuso, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, e defenderia a teoria da imutabilidade na natureza amorosa que dita a tirania dos sentimentos: o tudo ou o nada, o grande amor versus uma enfatuação inconsequente, a paixão arrebatadora versus uma companhia morna, um amor perfeito contra uma segunda escolha.

Na verdade, não existem amores perfeitos; existem relações com mais ou menos momentos perfeitos. E as paixões arrebatadoras da adolescência, que tantas vezes se repetem depois dos vinte, com o tempo acabam por ganhar contornos novelescos, por vezes anedóticos, quando olhamos para trás e pensamos: mas como é que eu pude gostar tanto daquela pessoa?  Como é possível ter perdido tanto tempo com ela?

Eu sou igual às outras mulheres, e por isso também tive uma paixão que se arrastou por muito tempo e que ressuscitou uma década mais tarde. Como nos contos de fadas, ele era alto, moreno, de olhos cor-de-mel, inteligente, risonho, e bem nascido, com sucesso entre as mulheres (notei isto depois do dia em que acabamos e as minhas "amigas" começaram-se a meter com ele).

Hoje, acredito que o verdadeiro amor é o oposto de tudo isto. A realidade suplanta a idealização, ainda que esta persista no nosso imaginário e nos faça tanta falta.
O dia-a-dia de uma relação construída com leveza e verdade vale mais do que qualquer projecção de um romance perfeito em HD; a entreajuda nos momentos mais críticos e a confiança plena naquela pessoa, na sua integridade e no seu carácter são aspectos bem mais decisivos do que a cor dos olhos. Mais do que sonhar e idealizar, numa relação amorosa plena, amar é construir,  partilhar, ouvir, respeitar, dar espaço quando é preciso, pedir sem cobrar e saber que o outro está ali por nós e para nós, não só pelas qualidades que temos, mas também porque sabe viver com os nossos defeitos.

O verdadeiro Príncipe Encantado não precisa de se apresentar de cavalo branco nem de exibir o mapa de um reino encantado com um castelo gigante; basta que nos traga o coração nas mãos e a vontade de ficar, de construir, de nos querer bem e de sonhar, sem lentes que distorçam a realidade, nem medo de ser feliz.


5 comentários:

  1. Mesmo! Concordo contigo a 100%. E o Joaquim de Almeida esteve tão bem! Eu adorei vê-lo, senti mesmo orgulho acreditas? Acho que também foi por isso que gostei tanto deste filme, mais do que dos outros. Por me sentir tão próxima da cultura, por estar a ver a nossa história tão bem contada, por nos enaltecer e nos encher o peito de orgulho! Acho que precisamos mesmo disso, ainda para mais nos tempos que correm.
    Por acaso não sabia disso, pensava mesmo que tinha sido no Brasil! :O Mas confesso que principalmente na cena em que eles fogem com o cofre, as ruas, as estradas, estava a achar aquilo muito estranho, não parecia nada típico de lá.. Agora já percebo. x'D Ahaha!

    Beijinho grande. *

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  2. há pessoas que marcam tanto a nossa vida que por mais tempo que passe e mesmo estando com outra pessoa não apaga todos os momentos vividos e todos os sentimentos sentidos!

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  3. Adoro a paixão e o fogo inicial, mas o amor tem tendência a ser mais calmo e seguro.

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  4. oh muito obrigada :)
    gostei imenso do blog, sigo* e já meti gosto no facebook :D

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