Conquistadores e sedutores

No que toca à conquista e sedução, os dois mitos mais populares do mundo ocidental são D. Juan e Giacomo Casanova. O primeiro é espanhol, o segundo italiano. O conquistador espanhol é um mito, o sedutor italiano existiu mesmo. Segundo a lenda, D. Juan é castigado na morte, descendo ao Inferno, enquanto Casanova vai sofrendo ao longo da vida castigos e vicissitudes: esteve preso, fugiu e chegou a denunciar oficialmente pares da sua vida dissoluta para poder viver em liberdade.
A grande distinção entre eles reside na forma como tratavam as mulheres. 


D. Juan, misógino até ao tutano, age para castigar, para punir, como se a conquista se tratasse de um acto de vingança generalizada sobre o ‘segundo sexo’, como lhe chamava Simone de Beauvoir. Segundo a lenda original, ele mata Dona Anna, razão pela qual vai parar ao Inferno.

Casanova é mais do estilo sedutor. Vive intensamente cada aventura amorosa, protegendo a mulher depois de abandonada da melhor forma que pode, deixando-a confortável financeiramente, ou, caso tal não seja possível, ‘passando-a’ para um amigo que poderá cuidar dela.

Os sedutores compulsivos gostam de fazer uma clara distinção entre o malandro sem coração nem escrúpulos e o bom malandro, que é o que eles pensam que são.  
Um sedutor profissional ou com aspirações a tal faz sempre sentir à sua presa que ela é a única que vive no seu coração, mesmo que seja apenas por uma tarde bem passada no Motel Classic, ali para os lados de Sintra, equipado com banheiras de jacuzzi, camas redondas e espelhos no tecto.
O truque de qualquer pirata emocional, seja ele do estilo conquistador ou sedutor, passa, afinal, sempre pelos mesmos clichés: convencer a donzela de que a deseja de uma forma tão intensa que pode chamar a esse desejo amor.  Os homens sabem que as mulheres se alimentam de sonho e de amor, que a mulher deseja aquilo que ama e que o homem ama aquilo que deseja. 
Um Casanova que se preze usa esta artimanha com mestria e subtileza. No fundo, e ainda que a ame momentaneamente, ele sabe que a está a induzir em erro, porque em breve partirá para novos desafios amorosos, enquanto ela ficará a sonhar com a continuidade.

Mas há que tirar o chapéu a estes artistas, cuja imaginação e brio na arte da sedução fazem derreter os corações mais vulneráveis ou solitários. Como diz o Herman na pele de Serafim Saudade: o verdadeiro artista é aquele que aguenta, é preciso ter feitio e endurance para andar sempre no activo.

Conquistador ou sedutor, D. Juan ou Casanova, venha o diabo e escolha.

2 comentários:

  1. Bem, entre o diabo e escolha, acho que já conheci ambos os lados, para poder dizer que o sedutor é melhor... porque se preocupa com a pessoa, ao contrário do donquistador...
    Mas bem, eu gosto deles sedutores, mas fiéis... Raro!

    coco
    Lux

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  2. Olá,
    Passei só para perguntar se já viste a colecção The Simpsons - da Oysho ;)
    Eu não resisti (:

    Beijinho*

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