Tristes figuras

Se para as mulheres deixar a tampa da retrete aberta e um par de meias no chão é um turn off, antes de elaborar uma lista exaustiva de pequenos gestos que as fazem enjoar do seu parceiro, decidi colocar-me do outro lado da trincheira e tentar perceber o que dá cabo dos nervos aos homens a ponto de os fazer desaparecer do mapa.
Felizmente, nem todos os homens se interessam sem critério por todas as mulheres. Há quem siga regras estritas: os não fumadores, por exemplo, não toleram a ideia de andar aos beijos com uma rapariga que saiba a cinzeiro. Pequenos pormenores, como ela ouvir música pimba, vestir tops de lycra, ter uma voz demasiado aguda ou desfiar o seu rosário de sofredora relatando em pormenor todas as doenças dos membros da família, pegar mal nos talheres, mascar pastilhas elásticas, rir alto, discutir futebol ou ter a mania que é um piloto e Fórmula 1 quando atravessa a A5, podem ser fatais.


Depois, na hora H, a vigilância aperta: lingerie ordinária ou de cores inesperadas, cuecas grandes de algodão daquelas que eles imaginam que as senhoras que lavam as escadas usam, perfumes demasiado intensos, mulheres que pensam que dar beijos é o mesmo que fazer transplantes de cuspo, assumir comportamentos pouco naturais inspirados em filmes para adultos comprados na Makro, podem espantar a caça.
Aquilo que uma mulher nunca deve fazer é falar dos ex-parceiros e como eles eram na cama. Comparar é crime; se eles pudessem, dava direito a cadeia. Outra coisa que irrita os homens são mulheres que se estão sempre a desvalorizar. Ou então o oposto, mulheres que se vangloriam: cabe-lhes a eles fazer os elogios que entenderem.
O estilo frango assado, que se mexe pouco, também já está fora de moda, deixa-os profundamente entediados e com vontade de:

 1. Irem-se embora comer caracóis na tasca mais próxima;
 2. Atirar-lhes água fria, como cantava o Reininho. 

E depois do depois, há erros que eles não engolem e por isso mesmo não perdoam: ficar a dormir sem ser convidada, abrir gavetas, mudar coisas de lugar, dizer coisas do género ‘esta casa precisa de um toque feminino’, dá-lhes logo vontade de brincar ao toca e foge.
Finalmente, ‘last but not least’, nunca, mas nunca dar a entender que a coisa não correu bem durante toda a performance, a não ser que nunca mais o queira ver.
Um homem envergonhado é um desertor por natureza.
E ninguém gosta de pensar que fez figuras tristes.

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